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Descrição

Quase-poemas (Marilza de Melo Foucher)

Editora: Escaleras
Acabamento: capa cartonada com orelha
Cor do miolo: preto
Formato: 14 x 21 cm
Páginas: 88
Edição: 
Ano: 2019
Idioma: Português
Classificação: não disponível
Categorias: literatura, poesia

Bendito ócio poético.

Venho acompanhando desde sempre a produção literária de Marilza Foucher, uma amazonense quase acreana que se transplantou por amor para a minha não menor querida Paris. No início era uma estudante na Sorbonne e uma inquebrantável militante da liberdade. Nos encontramos muitas vezes desde a juventude até agora. Não vamos esquecer daqueles anos de intensa participação política que vivíamos no Brasil: uma ditadura sangrenta e reacionária. Nossa geração não perdoava ninguém, e nossos líderes carregavam rebeldia e radicalismo, lembrando que radicalismo não significava sectarismo, mas pegar as coisas pela raiz. Lembro de muitas manifestações que participamos juntos em Paris, e esses fatos não são recordados sem uma ponta de nostalgia da nossa juventude marcada pelo espirito libertário da Paris de 1968, mas também com carinho por não termos deixado morrer os nossos ideais.
O verso de Marilza, a seu modo, muitas vezes correm ao longo da fronteira em que a poesia e a prosa se olham de frente. Seus poemas registram momentos dos abalos sísmicos da política francesa e os tremores de malária da política nacional. Há belos e bucólicos momentos poéticos que rememoram as estações do ano, mas de todos os poemas ressalto um de seus versos, o que vem com um título ousado: “A teimosia dos utópicos”. Eu diria que é a celebração dos amigos comuns, renitentes que somos em abandonar nossa militância pela justiça. O poema que aqui destaco tem uma singeleza que só os espíritos puros são capazes de ousar versos num momento histórico de ilusões e exacerbado capitalismo.

Marcio Souza (escritor, cineasta, ensaísta, dramaturgo)

Sobre a autora:

Marilza de Melo Foucher, graduação universitária em Administração, pós-graduação em Geografia, mestrado e doutorado em Geografia e Economia-Sorbonne-Paris, vive na França há quarenta anos (dupla nacionalidade) e é casada com o francês Pascal Foucher. Ambos tiveram duas filhas (Maira e Taina) e dois netos (Gabriela e Hélio). Depois de aposentada, Marilza passou a atuar no jornalismo político e internacional, colaborando desde 2008 com o Jornal Mediapart-Paris, onde já escreveu uma centena de artigos. No Brasil colabora com os jornais Brasil 24/7 e Correio do Brasil-CdB.